Que a indústria de tecnologia tem sido fortemente afetada pelo desenvolvimento acelerado da Inteligência Artificial, eu não preciso repetir aqui. Certamente todos lendo esse texto poderiam testemunhar como os últimos dois anos foram intensos, uma corrida para dominar uma tecnologia que ainda não se apresenta sob sua forma final – e parece longe de estar.
No entanto, embora algumas áreas sejam mais obviamente afetadas, outras parecem ceder ao avanço da IA de forma mais gradual ou inesperada. Pior, muitas convicções vão caindo por terra: mesmo aquilo que parecia seguro dentro do monopólio humano hoje já parece sob risco de disrupção à medida que a tecnologia vai avançando.
Por exemplo, se a programação foi a primeira vítima do ChatGPT, trabalhos altamente dependentes de interfaces controladas por computador mas sem API nativa – como edição de vídeo – podem hoje ser realizados em alguma medida pela IA conforme sua capacidade de Computer Use avança.
Mas meu objetivo nesse blog nunca foi causar pânico ou desânimo. Pelo contrário, quem me acompanha sabe que insisto em mantermos as rédeas daquilo que nunca – por questões ontológicas – poderá ser substituído pela máquina: em particular, nossas características mais humanas, nosso taste, a visão do artista, por assim dizer.
É por isso que nunca me importei com a busca midiática pela AGI, ou Artificial General Intelligence, uma inteligência tão superior e autossuficiente, que se tornaria independente da intervenção humana. Na verdade é uma questão lógica: se esse dia chegar, nada mais poderá ser feito. Portanto, tratemos daquilo que conseguimos controlar: o fato de que a IA, por mais inteligente que seja, precisa da supervisão e intencionalidade humana.
Considerando esse cenário onde a IA continua evoluindo mas não nos substitui, onde, então, entra nosso intelecto? Bom, alguns engenheiros de software parecem se abrigar sob a proteção de um conhecimento de arquitetura, pleiteando um edge em relação à máquina no que diz respeito a entender quais componentes escolher para projetar um sistema. De fato, historicamente esse trabalho sempre apresentou mais valor.
No passado, um programador poderia manter-se confortável por dominar uma ferramenta. Com a IA, isso tem diminuído até, inevitavelmente, chegar a zero. A solução então seria aprender a projetar sistemas: escolher a stack, o banco de dados, a arquitetura, a tecnologia. Novamente, a IA tem se tornado cada vez melhor nisso, ainda que longe de ter a fluência que os novos modelos tem nas linguagens de programação, embora já competentes o suficiente para serem úteis sob a supervisão de um engenheiro experiente.
Se você não acredita em mim, considere o que disse o DHH, criador do Rails e um programador dito “raiz”, sob nenhum aspecto proponente de mero hype.
Ou seja: modelos tem ficado melhores em arquitetar software. Portanto, fica a pergunta: se a IA já programa e agora projeta, o que restou para nós?
Essa é a razão pela qual eu tenho dito repetidamente em meu canal no YouTube que o trabalho do engenheiro de software moderno é o harness engineering. Ou seja: criar, manter e garantir a segurança de sistemas de IA que serão utilizados não somente por você, mas também por outros.
Em São Francisco, onde a tendência surge e logo se espalha pelo mundo, o tema da vez é o domain-specific harness, sistemas de IA projetados para conectar ferramentas e dados para um determinado domínio. Por exemplo, uma empresa pode ter todos os seus serviços disponíveis dentro de um harness proprietário, de modo que qualquer um – engenheiros, analistas, PMs, copywriters, advogados, etc – possa aumentar sua eficiência dentro de um ambiente controlado.
Como testemunho pessoal, não só observo esse burburinho lá fora, como presencio isso acontecendo: já implementei harnesses tanto em empresas americanas como brasileiras, além de ter sido um dos primeiros a falar de harness engineering aqui no Brasil. Por isso, não tenho nenhum receio de afirmar que isso já é realidade e que o engenheiro de software ou profissional de tecnologia que quiser se manter relevante deverá, de uma forma ou de outra, aprender a projetar e gerenciar sistemas de IA.
Se esse é um assunto que lhe interessa, gostaria de deixar o convite para participar do lançamento da Trilha do Engenheiro de IA. Como há muito a ser dito, decidi preparar uma formação completa para quem quer entender, implementar e projetar sistemas operados por agentes. Afinal, não adianta acompanhar cada pequena atualização de modelo e mudança de benchmark se isso não servir para trazer ganho de eficiência e produtividade para você ou para seu time.
A Trilha será composta pelos cursos de Fundamentos da Engenharia de IA, Programação Agêntica e Harness Engineering, e seu lançamento oficial será quarta-feira, dia 30/09 às 19h. Como existirá uma condição especial para a Turma Fundadora, além de bônus exclusivos, não deixe de se inscrever na lista de lançamento para ser avisado das novidades.
Ao longo dos próximos dias voltarei aqui para falar um pouco mais sobre a necessidade dessa formação e como ela pode ser útil para qualquer um que utilize agentes de IA em produção.


